- Só quero beber meu uísque, você que se foda - Katherine estava sentada em uma poltrona com os pés debruçados na mesa de centro, fumando um cigarro barato entre tosses e risos.
Nunca havia fumado, odiava aquilo. Mas era uma boa atriz, o momento exigia isso, exigia aquela pose de superioridade mal feita, indiferença e repulsa a Derek, que por sua vez, estava desconfortavelmente sentado no sofá em frente a ela, se apoiando em seus joelhos. Tentava observa-la, decifra-la. Queria entender aquela atitude.
- Você não quer mesmo dizer isso.
- Não quero? Quem é você para dizer o que eu quero ou não? - virou o copo e deu uma risada - Estou cagando para você.
- Até parece. Está atuando, sei que sente minha falta, que me deseja ardentemente e quer ter tudo novamente.
- Já mandei você ir se foder?
- Já. Estou errado?
- Está - ela tirou os pés da mesa e se aproximou dele.
- Prove - ele riu.
- Saia por aquela porta - Katherine apontou para a porta trancada a sua direita - e suma da minha vida, você vai ver que eu não vou te procurar.
Derek continuou rindo.
- Isso não prova nada.
- Eu não te devo explicações, muito menos provas. Só quero você longe de mim. - Ela levantou irritada, e foi pegar outra garrafa de uísque.
Ele contou até 10, depois se levantou e aproveitou o momento que Katherine estava de costas, para vira-la e puxa-la para si. Segurava com força, e ela gritava:
- ME LARGA SEU FILHO DA MÃE!
- Só quando você parar de mentir.
- MENTIR SOBRE O QUE CARALHO? - tentava com todas as forças se soltar.
- Mentir sobre o fato de não me querer. Você me quer Kath! ADMITA!
- Não quero merda nenhuma! Só fique BEM LONGE de mim! - e com isso deu-lhe um chute entre as pernas.
Derek imediatamente a soltou. Katherine pegou seu casaco e saiu de casa. Entrou na primeira ruela que encontrou, e foi seguindo sem rumo. Não poderia voltar para casa naquela noite, pois sabia que ele a esperaria. E não queria que a história recomeçasse.
Nunca mais.
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(Carolina Sartorio)