Escritores

Digo desde já que eu sei que esse texto se encaixa para várias pessoas, e não somente para escritores, porém, no dia em que o escrevi, me vieram alguns escritores em mente…e aí surgiu isso.

Andei pensando. Escritores são emocionalmente conturbados, de fato. Geralmente são loucos, ou ficam loucos. Passam a maior parte do tempo mergulhados em uma melancolia inexplicável e inalterável, possuem um passado complicado no qual, na maior parte do tempo, eles se recusam a falar a respeito. Criam pseudônimos, misturam suas vidas com as de seus personagens, vivem disso. Respiram as palavras que proferem e isso os completa. Talvez temam mais a vida do que a morte, se é que a temem. Os bons, desacreditam na sociedade e compreendem a frieza da realidade. Pensam. Choram. Sabem. 

Sabem que a ignorância não tem mais cura. E que viverem em seus mundos e seus refúgios os salva de uma multidão de mediocridade. Escritores, vivem histórias de amores fracassados, passam por todo o tipo de decepção e frustração, mas sabem filtrar isso para transformarem em bons textos. Também vivem boas histórias, e procuram o bem, onde quer que ele esteja. Conhecem os dois lados da moeda para achar o equilíbrio. Como a maior parte de nós. 

Ninguém É um escritor, apenas acham que são. Como já dizia Bukowski. Não existe certeza. O certo, é que estes, não escolhem ser o que são por vontade própria, não surge do além, eles nascem com um dom. Descobrem nas palavras, um mundo que, para eles, talvez valha mais apena do que a realidade. Desde jovens, mesmo alguns renegando, esse dom aparece. E não adianta tentar fazer outra coisa, a escrita sempre estará presente, corroendo o nascido escritor para que este, deixe as palavras fluírem de sua mente para seus dedos, sendo imediatamente transcritos, seja em um pedaço de papel, ou até mesmo nas notas de seu celular.

Escritores podem ser quase loucos, incompreendidos e até mesmo iludidos para muitos de vocês. Podem viver em quitinetes com aluguéis atrasados, mas não desistem de escrever, e nem escrevem apenas para tentarem chegar a publicar um best-seller. Só querem fazer o que fazem de melhor. Querem escrever por paixão. São eles, que descrevem o mundo, no seu modo mais perfeito, seja real, ou não. E é entendendo seus textos, entendendo o que cada escritor quer transmitir, que conhecemos cada um deles, na forma mais pura que existe.

Porque em uma folha de papel, você é o que escolhe ser.

~

(Carolina Sartorio)


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1 note   -   Posted 8 months ago


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Posted 9 months ago

Não consigo sequer sustentar minha própria loucura. Se é que isso pode ser chamado de loucura.
(Carolina Sartorio) 
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Posted 9 months ago

Gol.

Isso mata. Sentir o corpo inteiro pulsando mais forte, um aperto interno e a cabeça explodindo em pensamentos, um pior que o outro, sempre tendo aquele que domina:”Vai dar tudo errado”. E geralmente dá. Esse lance de ~energias positivas~ é tatibitate astrológico, ou seja lá o que for. Não tem essa de ‘pensar positivo’ que tudo vai dar certo, NÃO VAI. Se tiver que dar errado vai dar, e foda-se quantas mil  promessas você fez, ou para quantos deuses apelou. Nós estamos de fato sozinhos, e sofremos as consequências por toda e qualquer ação que tomemos, não adianta tentar fugir…acreditem eu tentei. A merda nisso tudo é não poder adivinhar cada consequência de cada ato, ou saber medir o que é certo e errado em algumas situações, porque quando percebemos a consequência já está aí para bater na nossa cara. 

Eu sou extremamente cabeça dura, teimosa, orgulhosa e etc… sei disso. Afinal, porque outro motivo eu estaria aqui sentada, escrevendo em meio a lágrimas, se eu não fosse uma idiota e não soubesse como dialogar a respeito? E o pior é saber que fugir não adianta nada. O pior é não poder se esconder até tudo clarear. O problema é ter que enfrentar. Enfrentar sem nem saber o que está errado. E pelo caos dentro de mim mesma, acabar preocupando pessoas que eu não queria preocupar. Eu tenho uma certa tendencia a ficar mal porque ficam preocupados comigo. Não estou acostumada com isso, não gosto de incomodar, por isso prefiro ficar quieta, pena que hoje em dia isso também não anda funcionando. Agora me resta escrever, pelo menos em meio a palavras perdidas eu encontro uma tranquilidade, por mais que seja por pouco tempo. Minha vida tem a mania de tomar rumos que nem eu vejo ela tomando, sabem? Aquela coisa de caminhos errados… bom, pelo menos no sentido escolar ela sempre toma. E a culpa é minha, unica e exclusivamente minha. Vira aquela bola de neve maldita!

Chega mês de Agosto meu corpo inteiro se endurece e diz “se prepare”, incrível como ele sempre acerta. Nos últimos anos todo fim de ano ele já sabe o que acontece, e o quanto eu me estresso. Eu não sei se agora eu choro pela minha dor física, ou pelo meu emocional destroçado. Não entendo. “Ain, mas tudo pode ser diferente, é só você se esforçar e tentar” O-CARALHO. Ok? Eu tento. Aliás, eu passo muito tempo me esforçando pra isso, e a cada tombo é uma pitada extra de desmotivação…mesmo assim, estou de novo me reerguendo e tentando dar uma chance a mim mesma, de me recuperar, de conseguir. Até porque eu prometi que conseguiria.

O que eu queria de verdade? Ser a filha/amiga/’namorada’ perfeita. Sei que me cobro demais e isso me pesa, porém, não deixo de ficar me remoendo. Vamos por tópicos, falemos primeiro sobre filha…Bom, ser pai/mãe não é fácil, ser filha também não. Todos nós temos problemas, inseguranças e o escambau a quatro. Eu queria…MUITO ser carinhosa, saber demonstrar meus sentimentos pra eles, saber dialogar, ter as notas perfeitas, o comportamento perfeito…ser tudo o que eles sonharam que eu seria.  Queria que se orgulhassem de mim verdadeiramente por algo que eu fiz, escrevi, disse, queria que me compreendessem, entendessem o quanto eu aprecio atitudes mas evito falar…Enfim, queria ser boa pra eles e não algum tipo de decepção.  Como eu sou na maior parte do tempo. Queria poder pedir desculpas e saber que conseguiria mudar totalmente.

Queria acreditar mais. Nas pessoas, na vida, em mim. Vocês sabem como é só achar uma qualidade em você? E ainda sim, nem completa ela é? Eu me admiro pela minha pseudo-inteligencia. Por mais que ela seja pequena, é o que me faz não seguir um padrão - mesmo que eu pense que, se eu seguisse, me machucaria muio menos - Nunca me achei e nem vou me achar melhor do que ninguém, aliás, perco um bom tempo me comparando a lixo, mas é algo que eu gosto em mim, mesmo com toda a dor e sofrimento que me causa, ou causa aos outros sem nem mesmo perceber. Atualmente tenho tentado me esforçar para não pensar nos meus defeitos, na minha baixa auto-estima. Tento não lembrar do motivo pelo qual hoje encontro pequenas cicatrizes pelo meu corpo. Evitar lembrar de coisas que te marcaram é muito difícil, mais do que eu imaginava. Só não vou deixar de tentar, pelo menos não isso. Quero de fato, esquecer.

Continuando com os tópicos: Amiga perfeita. SANTO CRISTO, eu queria fazer pelas minhas amigas metade do que elas fazem por mim, me sinto tão impotente, tão…tão sei lá. Queria ser mais presente, compreensiva, queria dar bons conselhos como antigamente. Queria ser o tipo de amiga ideal, e não só isso, uma boa colega também, não gosto de briguinhas e encrencas, não gosto de falsidade e mentiras, essa fase passou, agora tudo me cansa. Queria ter certeza de que sou uma boa amiga. Da mesma forma que ligamos ao próximo tópico boa ‘namorada’. Independente de com quem, eu queria saber demonstrar tudo o que se passa em minha mente e coração nessas horas, queria fazer a pessoa feliz o máximo que eu pudesse, queria ter a liberdade de estar perto, porque também me acho pouco presente. Queria que notassem o quanto eu dou valor, queria dar mais valor, e amor…Ah como eu queria. 

Queria conseguir abrir mão de certas coisas ruins que existem dentro de mim. Mas ”o homem é o lobo do próprio homem” não é? Quem criou um monstro interno fui eu. Apenas com pequenos moldes dos outros. Essa merda toda tá explodindo na minha mão. Minha cabeça dói e meu estomago arde. E a culpa é toda minha. Ninguém mandou ser esquisita. Ninguém mandou ser confusa. Ninguém mandou se importar tanto. Ninguém mandou se cobrar tanto. Agora se fode aí Carolina, chega de falar, porque isso não vai me derrubar e não tô afim de desistir.

Bola pra frente que ainda quero chegar no Gol.

~

(Carolina Sartorio)


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Posted 9 months ago

Lanchonete.

- Como foi o encontro com o garanhão do restaurante? - Louis riu, fingindo estar interessado no assunto.

- Ah, uma merda. Não durou muito, só tomamos um café e eu fui embora, não estava bem.

- Não estava bem? Melhorou?

- Continuo igual, mas queria vir aqui te ver.  - Nina aparentava estar exausta, tinha passado em um bar de beco antes de ir até a lanchonete, e após muitos drinks já não sabia distinguir seus pensamentos.

- O que você tem? - ele arrumava o balcão, se preparando para fechar a loja, e ela estava ali, sentada em um dos bancos, encarando -o silenciosamente, pensando.

- Mais fácil perguntar o que eu não tenho.

- Então me diga, o que você não tem?

Ela girou no banco, se sentindo desconfortável com a pergunta, mais ainda em ter que responde-la. Preferiu não pensar a respeito, apenas queria dizer tudo de uma vez e ir embora dali.

- Se é para irmos direto ao ponto…você.

Louis parou imediatamente o que estava fazendo. Surpreso com a resposta. Depois, preferiu continuar o seu trabalho para não se mostrar abalado.

- O que?

- É isso ué, você perguntou, eu respondi. A gente se conhece a tempo o suficiente para eu te contar  a verdade. O motivo pelo qual todos esses encontros que eu vou dão errado, não é por problema dos caras, e sim pelo fato de que a única pessoa que eu quero está bem do meu lado e não percebe isso. Louis, você é um mané.

- Você o que? Nina! Somos amigos a anos, antigamente você me dizia que eu seria o último homem na face da terra por quem você se interessaria.

- As coisas mudaram. Eu mudei, você mudou…

- Eu … eu … eu não sei como reagir. Nem se eu devo reagir de alguma forma.

Ela levantou, pegou sua bolsa e se debruçou sobre o balcão, ficando bem próxima dele. Louis parou e por alguns segundos pensou em beija-la, mas recuou, ele sempre recuava.

- Não diga nada, você não precisa reagir. Só queria que soubesse - dito isso, ela saiu do balcão e saiu porta a fora. Andando pela rua sem rumo.

Ninguém nunca mais ouviu falar dela…

~

(Carolina Sartorio)


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1 note   -   Posted 9 months ago

Desabafando, rabiscando…

Sentada na porta eu olhava para um mundo que já não me pertencia mais. Acho até, que nunca pertenceu. Porém a ideia de ter feito parte de algo em algum momento já me agradou. A verdade é apenas uma: nunca me encaixei. Nunca consegui seguir um padrão, nem me apegar a algo monótono por muito tempo. E isso já me prejudicou muito, por muitos anos. Apenas por não saber como lidar. Hoje…bom…hoje tudo está diferente, eu criei a minha realidade, o meu universo, e aprendi a relacionar isso com o que vocês chamam de mundo ‘normal’. Vou fazer o que se nasci sonhadora? Vou fazer o que se o mundo de vocês é tão idiota? Mentira, não é idiota. Mas vocês o tornam assim.

Um mundo que tinha tanto pra ser tão bonito e vocês simplesmente preferem jogar tudo fora. “Ah, lei da sobrevivencia” pro inferno com a lei da sobrevivencia… até os Neandertais tinham jeitos mais descentes de vida do que muitos de vocês hoje têm. Vocês esqueceram o que era viver em sociedade, esqueceram da parte boa de uma vida, de um gesto. Agora é muito melhor roubar, destruir e matar. Não é? Olhem só a que ponto chegamos… não que eu acredite em um mundo perfeito, porque eu não acredito. Se as pessoas soubessem o quanto elas podem fazer a diferença…o quanto elas podem ser alguém… acho que tudo seria pelo menos um pouco melhor.

A vida não é um conto de fadas, o mundo muito menos, mas não precisa ser um caos, não precisa ser o que é. Existem coisas tão bonitas lá fora, existem pessoas verdadeiramente bonitas. Pessoas que vale apena conhecer, vale apena ter por perto. Existe sim, salvação. E nisso eu acreditarei sempre… só não acredito que vivendo como a maioria de vocês vivem, vamos alcança-la…

Time to change. 

~

(Carolina Sartorio)


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1 note   -   Posted 9 months ago


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Posted 10 months ago


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50 notes   -   Posted 10 months ago

Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembranças que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente.
Fiódor Dostoiévski - Notas de Subsolo
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1 note   -   Posted 10 months ago

Filme.

Imagens. Uma atrás da outra, passando, rapidamente, em minha mente. Pequenas lembranças, pequenos desejos. Como em um filme, cada figura se encaixa e forma uma cena completa. Cada personagem, cada objeto…tudo vem aparecendo em minha vida, para completar esse filme. E só agora eu percebi. Só agora eu senti que isso está acontecendo.

Pausa.

É, eu posso pausar isso também. Me trancar dentro de casa e como se fosse uma jaula e deixar tudo passar lá fora. Ou seja, outros filmes estarão rodando…o meu permanecerá praticamente igual, em termos de descobertas, é claro. Posso escolher recuar, tirar e acrescentar o que eu quiser… e tudo isso só depende de mim. Aliás, esse filme inteiro depende de mim. A personagem principal sou eu.

“Mas Carol, de que tipo de imagem passa na sua mente?” - Quer mesmo saber? Vou contar uma, creio eu que ela se refere ao futuro, porque nunca aconteceu. Mas eu a imagino desde que eu tinha mais ou menos 10 anos:

“Uma parede de tijolos vermelhos, o resto das paredes, marrons. Nessa parede de tijolos, uma grande janela bem no meio, com um espaçamento grande o suficiente para eu me sentar e observar o movimento, por sinal, é aí que eu estou. Sentada, com um livro na mão, olhando para a rua movimentada a uns 18 andares a baixo. Vejo também na lateral direita desse quarto, o corrimão de uma escada que vai para baixo. No chão, um piso de madeira clara…livros espalhados no chão, um mural de fotos e a cama bagunçada. Isso é tudo o que eu me lembro do quarto. Só sei que eu nunca me esqueço dessa cena. Eu sentada ali, um Golden Retriever vem e poem a cabeça no meu colo. Fico ali, acariciando-o e observando. E o tempo passando”

Essa é a imagem que me prende em vários sonhos. Nunca entendi o porque, mas fica ali. Agora eu penso que eu devo realizar isso. Que é só mais uma cena do filme… 

…e que filme maluco é esse…

Só queria compartilhar, escrever um pouquinho…

~

(Carolina Sartorio)


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Posted 10 months ago

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