April 2012
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Engraçado.No meio da solidão, as palavras se formam em minha mente com facilidade, escrevo textos longos e bem feitos. Mas passa-los para o papel tem sido um desafio.Ontem, mais um vez tive uma recaída.Passei um bom tempo derramando lágrimas por momentos que não voltam mais.Mas quem nunca fez isso?
Já faz uma semana que eu ando me perdendo na saudade.Do que já foi, do que poderia ter sido, do que nunca vai ser.Sei que escrevi sobre isso, mas foi bem mais pessoal que agora.
Agora eu só estou aqui.Digitando.Pensando.Desejando.
Você já se sentiu mal por ter reclamado tanto? Minha vida já foi muito melhor.Já foi um lindo mar de rosas, e eu só reclamava. Sei que dizendo isso, parece que estou reclamando agora.E talvez eu esteja, talvez daqui a alguns meses eu reclame por ter reclamado agora, mas sei lá.Tudo era mais fácil, mais simples, mais bonito.E eu só conseguia ver o ruim.Na verdade, até via o bom, mas preferi ignorar.Conheci pessoas maravilhosas que estiveram presentes por muito tempo na minha vida, e não sei se dei o verdadeiro valor que elas mereciam.Vejo amizades que eu tinha, momentos que eu fiz parte, e nunca sei se os aproveitei como deveria.
Ando sentindo falta de pessoas com valores humanos. Convivo muito com robôs.Pessoas que não se importam com o próximo, muito menos com os amigos. Pessoas que só seguem o padrão. Fazem as mesmas cagadas que todo mundo, e acham graça nas mesmas coisinhas fúteis e idiotas. Não que eu seja exemplo para alguma coisa, mas vejo gente que não sabe lidar com “trabalhos em equipe” ou que não toma a frente de nada na vida. Gente que só se deixa levar. Assim, no vazio.
Acho que não podemos ser escravos da vida, e das pessoas no geral. Pra chegar em algum lugar temos que no esforçar, correr atrás e fazer por merecer. Ficar sentado reclamando e vendo as coisas passarem, não é bem a solução. Tudo bem, estou fazendo exatamente isso agora. Mas só agora. E talvez outro dia. Todos nós temos momentos de recaída. A vida é uma batalha constante. Não só isso, é um aprendizado constante. Ou vão me dizer agora que conseguem passar um dia sem aprender nada? Por mais monótona e irritante que possa ser a sua vida, ou a minha, se observarmos bem, alguma coisa sempre pode fazer a diferença e servir pra alguma coisa.
Nem sei direito do que estou falando, comecei querendo escrever sobre saudade, e já estou falando sobre aprendizado. Mas ahn?
Acho que toda essa melancolia que tem brotado é em função da páscoa. Ano passado, eu passei esse feriado em uma escolinha estadual, com crianças de 7 a 12 anos, extremamente carentes, levando chocolates para elas, e brincando. Por mais fria que eu seja com milhões de outras coisas, para mim, ações solidárias são extremamente significantes e maravilhosas. Eu poderia estar exausta, poderia sei lá, quebrar um dedo, ir me arrastando, virar noites sem dormir. Mas depois de passar o dia brincando e cantando com aquelas pessoas, e ganhar um abraço das mesmas sorrindo para mim e dizendo “obrigada” ou até mesmo um “eu te amo” me derretia.Ainda me derrete. Fico sorrindo igual uma idiota relembrando. E como eu lembro…de cada rosto, cada gesto, cada sorriso que eu vi nos últimos anos. Faz muita falta. Todo o trabalho que era, tudo o que fazíamos, compensava qualquer outra coisa.
E hoje eu estou aqui reclamando porque não farei absolutamente nada na páscoa.Me diz, como posso? Como posso reclamar? Porque eu não pego um ônibus e vou em um asilo contar histórias como eu fazia? O que mudou? Eu também não sei.Mas a vontade existe.E estou cogitando a ideia de juntar uns amigos e ir. Mas talvez não seja a mesma coisa. Além de toda a questão solidária, existia aquela proximidade entre as pessoas dos grupos que aceitavam participar disso. Lembro do grupo jovem que eu fazia parte. Das reuniões que tínhamos e como aquilo mexia com meu emocional. E como fez a diferença. Tanto fez, que ontem eu estava em meio a lágrimas, lembrando de tudo. Não só lembrando, mas me conformando de que as coisas não vão voltar a ser como eram.E que eu devo de alguma forma seguir em frente, guardando tudo isso como meras recordações positivas.
O único detalhe, é que eu não queria que isso acontecesse.Não queria largar tudo nos últimos 3 anos em que eu poderia continuar fazendo o que eu sempre fiz para passar meus dias em meio a robôs. Entendem? É esse o motivo para eu estar assim … nos últimos dias. E provavelmente vai continuar por mais um tempo.Ou não.Sou boa em disfarçar. Muita gente não vai saber. Muita gente não se interessa. Mas foda-se.
Só peço para que se vocês tiverem a chance, de fazer a diferença na vida de alguém, façam. Se vocês tiverem a chance de fazer um voluntariado, façam.É gratificante, e garanto que nunca vão esquecer.
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(Carolina Sartorio)
E aqui estou mais uma vez me melancolizando sem saber porque.Mentira, eu sei.Sinto falta.Falta do que já foi, do que pode ser, e do que nunca foi. Falta de pessoas que passaram pela minha vida, e de algum modo, mudaram tudo.
Vocês não sabem como existem coisas que realmente mechem comigo.Para quem não sabe, eu sou carioca.Vou começar falando por isso… Se tem uma coisa que eu amo mais que tudo nesse planeta, é o Rio. Para mim, o RJ nunca foi o que vocês veêm na midia, ou o que os “haters” dizem. Não sei se tive muita sorte, mas conheci um Rio muito diferente do que escuto a maioria das pessoas dizer. Lá, é o único lugar que eu realmente me sinto em casa.Onde eu sei que sou feliz verdadeiramente. Já fazem 8 anos que eu moro em Curitiba.E nunca, em nenhum momento, gostei daqui como gosto de lá. Ou me senti bem como eu me sinto lá. “Ain, porque você não volta pra lá então?” Por que eu não posso. Infelizmente, ainda não posso.
No Natal do ano passado, eu fui passar as férias todas por lá.Sozinha. Preciso dizer o quanto foi maravilhoso? Encontrei com minha melhor amiga desde pequena.E visitamos milhões de lugares legais, fizemos muitas coisas…e eu só conseguia pensar que não queria mais voltar.Eu sempre penso isso.E sempre alguma coisa me faz voltar.Dessa vez acho que foi um certo individuo, (vulgo Pippin) que ficava comigo todos os dias no skype. Mas hoje aqui, sentada olhando para uma foto minha lá…comecei a chorar de saudade.Não só do Rio, como da minha amiga.Da familia dela, e de tudo o que passamos juntas.Era diferente sabe? Por mais que sejamos extremamente “opostas” em algumas coisas, eu sabia que poderia contar com ela sempre.Bom, ainda sei.Mas não é exatamente a mesma coisa a uns 800km de distância.
E para ajudar todo o meu sentimento de saudade, acordo com 4 ovos da páscoa de presente do meu pai.Que está em Cuiabá.Vou ser sincera com vocês, depois que entrei na adolescência, eu me afastei muito dele.Muito mesmo.Por motivos pessoais.Acho que nunca tivemos uma relação afetiva boa. E eu sinto falta do que minha imaginação diz que poderia ter sido.Vejo minhas amigas super apegadas aos pais delas e me sinto mal por não ser assim. Talvez seja minha culpa, ou dele, sei lá.Agora acho que não tem como voltar atrás, ainda mais com o orgulho gigantesco que eu e ele temos. Manter uma certa proximidade, talvez seja aceitável, afinal é meu pai. Mas não acho certo exigirem de mim, algo que nós dois nunca tivemos.Não consigo, é como se algo me travasse a ser próxima dele. Agradeço e sei tudo o que ele fez por mim.Todos os presentes, e a educação que me deu.Sinto falta do que não foi, mas poderia ter sido nossa relação nesses últimos anos.
Para completar o ciclo de coisas que eu sinto falta…tem o Marista. Não sei se vocês sabem, mas o Colégio Marista Paranaense foi a primeira escola que estudei aqui em Curitiba. Todos os anos que eu moro aqui, estudei lá. (tirando 2 anos infernais que estudei no pior colégio do planeta, e esse ano que estou na Opet). Pensem em um lugar…que é minha casa?Que apesar de todas as brigas, e problemas que existem lá dentro, eu amo. Hoje posso dizer que o Marista já não é mais o mesmo, os alunos com os valores maristas também já são raros por lá.Mas eu ainda lembro, como era…como as pessoas eram.E lembro das histórias que tenho por lá, desde as viagens com a Pastoral, até as histórinhas de terror inventadas na 5ª serie, enquanto brincavamos de WITCH.
Se vocês me verem triste por ai, e eu não explicar o motivo, provavelmente é uma dessas 3 coisas, ou a junção de todas elas.Sei que é meio idiota, e que para vocês é só babaquice de uma garota qualquer.Mas para mim é importante. Não sou do tipo que apaga totalmente o passado da memória.Guardo as coisas ruins como aprendizado, e as boas ficam para dar saudade de vez em quando.Saudade consegue ser um sentimento extremamente filha da puta com a gente quando quer.Porque ela vem de mansa, quando menos esperamos, e parece que domina totalmente até você não aguentar mais e ligar só para ouvir a voz da pessoa.Para pelo menos por um minuto, se sentir melhor.
Obrigada a todos que estiveram comigo todos esses anos.Aos especiais…amo vocês e vocês sabem disso.
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(Carolina Sartorio)
March 2012
15 posts
O mercado das pulgas consegue ser algo realmente maravilhoso. É sério. Ontem sem querer, caminhei em meio a objetos antigos nesse local. Preciso dizer o quanto estava feliz?
Por alguns minutos, senti que estava respirando história.Vocês já pararam pra pensar a quem aqueles objetos podem ter pertencido? Para que foram ultilizados? Eu não consigo pegar um objeto e só ficar olhando “Puxa, que bonito” ou pior “Que troço velho”. Não consigo mesmo.
Livros antigos então, meu deus.Eu sempre “viajo na maionese” ao pensar que eles poderiam ter sido de algum homem relativamente importante.
Mas o que me prendeu a atenção totalmente em meio a toda àquela bagunça, foi um Capacete militar.Isso mesmo.Um capacete militar.Que estava pendurado na parede.Eu consegui atravessar o mercado das pulgas quase que voando (passando por um Mega Drive muito bem cuidado, relembrando da minha infancia) só para chegar perto do capacete e surtar. Acho que demorei uns 10 minutos só pra conseguir ter coragem de pegar ele na mão.
Pode parecer besteira, mas dentro do meu estomago estava acontecendo algo muito louco que eu nem sei explicar. Peguei ele e fiquei olhando com uma cara de criança com balão.Incrivel. Ele realmente parecia ter sido usado em algo importante.E aí nem preciso dizer que a minha imaginação foi longe…fiquei toda em suspiros imaginando alguma grande guerra e aquele capacete no meio.
História pra mim é assim.Um suspiro atrás do outro, muita curiosidade, muita paixão.Não consigo não amar tudo isso. Mas fiquei muito feliz, e hoje estou mais ainda, de ter ele no meu quarto. Contando sua história todo dia de manhã quando eu acordo.
Não tem um porque de eu estar compartilhando isso com vocês, mas queria muito saber se existe algo que deixe vocês maravilhados assim também.Alguma história que queiram compartilhar!
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(Carolina Sartorio)
Queria escrever algo chato e meio revoltado como sempre faço.Mas não.Hoje estou me sentindo diferente, quero falar sobre algo particular.Que acontecia comigo a um tempo atrás, e pode acontecer com qualquer um.Se você já leu até aqui, bom…agora leia até o final.Não julgue pelo começo.
Quem nunca se sentiu deprimido? Tem dias que a gente abre o olho pela manhã e pensa “Puta merda, não, não quero levantar, quero dormir.Dormir até isso acabar”. Tem dias que nem sorrir pro seu amigo é fácil.Você fica na aula, com a cabeça baixa, fingindo que está apenas com sono.Mil coisas passam pela sua cabeça, e as vezes você acaba se deprimindo sem nem saber qual delas está te agoniando mais.E aquilo parece que te corrói, não é?
Também as vezes, essa deprê de um dia, dura uma semana, um mês, dois…e isso vai tomando conta de você.De repente uma coisa que antes era relativamente simples, agora virou uma depressão.Demora para as pessoas se tocarem que são depressivas.Demora pra se tocarem que algo está errado.A gente se acostuma a ficar mal, a acordar e dormir mal.
Acho que cada um tem um jeito de aliviar isso.Alguns se cortam, outros escrevem, outros só choram, pedem colo de alguém, não conseguem comer, dormir… A verdade é que entrar em depressão é uma merda.Como muitas outras coisas na vida, mas se você sai dela…aprende muita coisa.
Eu comecei escrevendo querendo focar na depressão,mas acho que vale pra tudo.Pra todos, pra muita coisa.
Pode parecer clichê, uma garota de 17 anos falando como se soubesse da vida.Eu não sei muito, mas ela não é fácil.E não me venham falar “Ain, é fácil, você que fica aí fazendo drama, larga de bobeira” dizer isso é simples.Não vou perder tempo falando do porque passei os últimos 2 anos, meio que em uma montanha russa.O final do ano passado foi mais pesado, mas acabou.Hoje posso sorrir e dizer que acabou.Tenho amigas que passaram por algo parecido, e também acabou pra elas.
Demora gente, machuca, desgasta…mas você tem que ser forte.Arranje um motivo para lutar. Seja seus amigos, sua familia, seja até seu animal de estimação.Não é apegado a isso? E livros? Filmes? Qualquer coisa, por mais boba e idiota que pareça…pode tirar você disso. Acredite, a vida é mais do que você imagina.O mundo não é apenas o que está a sua volta, tem muita coisa lá fora.E as vezes tudo o que você precisa, é se afastar um pouco da rotina e das pessoas que estão nela.Para alguns, viajar sozinho é fácil, para quem não pode, se trancar no quarto fazendo algo que você gosta muito…já serve.
Isso tem saída.Achem algo que faça vale apena.
Meu exemplo? Passei 1 mês longe de todo mundo.No lugar que eu mais amo.E agora que voltei, toda vez que me sinto prestes a ter uma recaída, me encontro novamente…lendo.Ler é meu refúgio. E as vezes alguns amigos, uma conversa, uma bobeira. Ano passado, eu saí do “poço” que estava graças ao meu melhor amigo.Hoje digo que ele me salvou.E pouquíssimas cicatrizes restaram para me lembrar desse período. Esse ano, para não incomodar ninguém, fico lendo, e mesmo sem perceber, todos os pensamentos ruins vão embora. Todo mundo tem recaídas, mas o “lance” é não deixar ela dominar você.Não vou mentir e dizer que nenhum pensamento ruim passou por mim esse ano.Mas foram apenas pensamentos, não ações.Aprenda a lidar com seus sentimentos, seus pensamentos.
Você pode achar algo que te faça bem.Lute, nem que seja por um sonho, um plano futuro.Tudo bem, estou sendo redundante aqui.Mas quero MUITO, que se você esteja passando por algo dificil, saiba que isso vai passar.Que tudo vai mudar. Pode demorar, mas vai mudar.
Acredite em você.Continue forte.
Ouvi uma vez dizerem que a vida é um travesti.Não entendia.Mas hoje, tal frase passa boa parte do tempo zanzando a minha cabeça.Tudo muda, tudo se transforma.E se você for diferente de todo mundo,…que que tem?Foda-se, você é você.Não ligue para o resto.
Não vou mentir e falar “não vai doer, você não vai sofrer”. Vai, vai doer muito, muito mesmo.Mas quando acabar…quando acabar a sensação você só vai saber se batalhar por isso.Porque eu não sei descrever…é bom demais.
Beatiful people do not just happen.
Be strong.
(Carolina Sartorio)
(…) Todos tinham a sua história, turva e densa como os vapores da bruma vespertina. De maneira geral, falavam pouco do seu passado não gostavam de evocá-lo, e era evidente que se esforçavam por não pensar nele. Conhecia alguns destes delinquentes, de temperamento tão alegre, a tal ponto despreocupados, que seria possivel apostar que nunca deixavam escapar uma queixa pelo menos conscientemente. Mas também se viam caras sombrias, quase sempre silenciosas. Raras vezes alguém contava a sua vida, e a curiosidade não era moda nem hábito ali. Se algum, vez por outra, se punha a falar da sua vida, por se sentir aborrecido, era escutado com frieza e com uma atitude áspera. Ninguém ali podia provocar a admiração de ninguém.(…)
Enfim, aquilo era um inferno. (…) “Somos gente perdida!”, diziam. “Quem não soube viver em liberdade que aguente isto, agora.” “Foi por não termos querido obedecer aos nossos pais que obedecemos agora ao batuque do tambor.” “Por não termos querido lavrar o ouro, partimos agora pedras com o maço.” Tudo isso dizam eles às vezes, à maneira de estribilhos e no tom de quem recita um provérbio ou uma frase feita, mas nunca diziam a sério. Tudo isso eram simples palavras. Duvido que um deles refletisse, no seu íntimo, sobre o seu delito.(…)
Elevaram o insulto à categoria de uma ciência; esforçavam-se por ferir, não tanto com uma palavra ofensiva, como com um pensamento ofensivo, com uma ironia, uma idéia vexatória… e da maneira mais concludente e cáustica. (…) Ninguém estava ali por sua vontade; eram todos estranhos uns para os outros.
The most beatiful people we have known are those who have known defeat, known suffering, known struggle, known loss, and have found their way out of the depths.
These persons have an appreciation, a sensitivity, and an understanding of life that fills them with compassion, gentleness, and a deep loving concern. Beatiful people do not just happen.
- Elizabeth Kubler Ros
Naquele fim de tarde caminhando pelas ruas ela só conseguia pensar o quanto era pequena.Perto daquela cidade gigantesca, era apenas um grão de areia.Não conhecia nem metade do que lhe era oferecido.Mas não porque não desejava conhecer, e sim por falta de oportunidades. Katherine conseguia passar o dia sonhando com situações e momentos extremamente próximos a realidade, mas simplesmente não aconteciam.Ela sabia que no fundo, poderia realizar todos os seus sonhos se tivesse liberdade para isso. Maldita liberdade, sempre atrapalhando tudo. Um pequeno passaro enjaulado, era assim que ela se sentia.E com razão. Se não fosse pela idade, eram os amigos, ou os pais, ou outra pessoa querendo mandar na vida dela, e no que ela deveria fazer, como se fosse apenas outro robô, mas ela não era. No fundo, Kath sabia que era errado, mas não conseguia arranjar um jeito de se libertar por completo.Ela tinha medo.Medo de fugir e não saber como sobreviver.Medo de tudo dar errado, medo dos sonhos se perderem. Para ela, viver ali no subsolo, no seu mundo, mesmo que entre grades, já era melhor do que nada.Se fugisse, poderia perder esse mundo.Poderia deixar de ser uma sonhadora, e a vida passaria por cima dela como passa por cima de tantos outros.O sonho de Katherine?Era poder voar.Poder fazer o que quizesse, conhecer, acreditar, lutar, vencer.Queria ser alguém, queria fazer a diferença, ver seu nome em um livro de história e saber que para alguém, ela havia sido importante.Mas como?
Largou mão dos pensamentos e continuou andando. Assim que anoiteceu, foi para casa, se jogou na cama e olhou para a janela ao seu lado.O céu estava nublado e mais sombrio que o normal.Deu um breve sorriso e acabou adormecendo.
~
Acordou com seu pai praticamente arrombando a porta.Seu humor já estava péssimo e mal tinha levantado da cama. Tentou disfarçar sua raiva ao máximo e gritou:
- Que que é?!
- Já levantou?
- Já!
- Vou sair, não tenho hora pra voltar, se vira.
Ela sorriu “se vira” , adeus ao mau humor. Ninguém por perto.Mini independencia. Levantou empolgada e colocou uma roupa qualquer.Andou pela casa quase flutuando, com a cabeça cheia de idéias. Idéias que obviamente ela não poderia cumprir nem metade, mas estava feliz de te-las.Depois de um café, saiu apressada rumo ao parque.
Passou pela parte sombria do bairro, com aqueles mesmos ratos imundos e largados de sempre.Mas passou quase correndo.Queria voar.Sentia que ia voar.Acelerou o ritmo, e chegou a grande avenida. Ouvia o trem passando.Ouvia buzinas, pessoas xingando.Subiu em uma ponte e observou tudo por alguns segundos.Deu risada, e seguiu.Ao chegar no parque, corria em meio as árvores distraída de tudo.Quando esbarrou em um homem que estava fotografando o céu.Ela parou.
- Vai devagar apressadinha! - sorriu ele levantando.
- Meu deus! Eu te machuquei?
- Não, devo ter fraturado o braço mas estou bem.
- Quê?!
- Tô brincando, calma.
- Ah! - riu ela - Me desculpe, estou agitada hoje.
- Posso perguntar porque?
- Não sei também.Mas quero fazer algo diferente.
- Interessante… quer fotografar comigo por aí?
Katherine olhou bem para o homem que havia derrubado.Alto, aparentava ter apenas uns 2 anos a mais que ela, tinha um sorriso bonito e parecia realmente estar interessado no que fazia. Não pensou duas vezes:
- Vamos! Mas afinal, o que você fica fotogrando?
- O que me der vontade.
Era isso que ela queria.
Bom, vou parar por aqui.O que realmente vale apena comentar.É que tal homem, mudou totalmente como Katherine via as coisas.Hoje devem fazer uns 3 meses que eles se conhecem. E agora ela acredita em algo, algo que antes, ela tinha medo. Acredita na liberdade, acredita que pode ser assim.Que não precisa ser mais uma na multidão, e que seu nome pode sim estar em um livro de história.Parou de ser incerto, agora era realidade.Ela lutava todos os dias para voar cada vez mais alto.E sem medo de cair.Porque se caísse, ia se levantar.Quantas vezes fossem necessárias.
Nenhum dos dois imaginava que aquele simples esbarrão iria mudar tudo.Naquele dia, tiraram mais de 2 mil fotos.E ambos guardam elas até hoje.Katherine e David se apaixonaram,fugiram, estão juntos vivendo um namoro que é totalmente diferente do que todos estão acostumados.É simples, sincero, real. Sem grandes armações e traições. Um aprende com o outro. Cada um com suas manias.Ele a libertou, e ela o ensinou a amar.
Um dia Katherine tinha medo, se escondia e sileciava, no outro foi libertada, assim sem mais nem menos.Hoje não consegue mais viver com amarras e todos aqueles que tentam coloca-la para baixo, ou dizer que ela não pode fazer algo…bom, esses aí ela nem escuta.
E você, está esperando o que para procurar um jeito de soltar as amarras?
(Carolina Sartorio)
(…) “O principal mártir era evidentemente eu mesmo, porque estava plenamente consciente de toda a baixeza asquerosa daquela minha raiva estúpida, e ao mesmo tempo não conseguia absolutamente me dominar. (…)
- Fique sabendo que naquele dia eu estava rindo de você.E agora também estou rindo.Porque está tremendo?É, eu estava rindo! (…) Eu precisava descarregar minha humilhação em alguém, você apareceu, eu despejei meu ódio sobre você, zombei de você.Fui humilhado, estão também quis humilhar, fui pisado como se eu fosse um trapo e quis demonstrar o meu poder….Foi isso o que aconteceu, e você pensou que eu fui lá salvá-la , não foi? (…) Mas salvar de quê?E talvez eu seja pior do que você.(…) Estava com ódio de você porque lhe menti naquele dia.Porque para mim o que importa é brincar com as palavras, é sonhar, e quanto à realidade, sabe do que eu preciso?De que vocês todos vão para o diabo!É isso aí! O que eu quero é tranquilidade.Sou capaz de vender agora mesmo o mundo inteiro por um copeque para que me deixem em paz.Entre o mundo acabar e eu beber o meu chá, eu quero que o mundo se dane, quero ter sempre o meu chá para beber.Você sabia disso ou não? Pois eu sabia que era canalha, patife, egoísta, preguiçoso. (…) E estas coisas que eu estou confessando a você agora, também nunca lhe perdoarei por elas! Você, unicamente você deverá responder por tudo isso, porque foi você que surgiu na minha frente, porque sou um canalha, porque sou o mais sórdido, o mais mesquinho o mais tolo, o mais invejoso de todos os vermes da terra, que não são nem um pouco melhores do que eu, mas que, sabe-se lá porque, nunca ficam constrangidos.Enquanto eu, toda a vida, vou receber petelecos dos mais reles insetos, esta é a minha característica! (…)
Depois disso o fato foi o seguinte: Liza, que eu havia humilhado e esmagado, compreendeu muito mais do que eu poderia imaginar.De tudo a que assistira, ela compreendeu aquilo que as mulheres sempre compreendem se amam com sinceridade: ela percebeu que eu era infeliz.(…) Então, repentinamente, ela se atirou para mim, enlaçou meu pescoço com os braços e chorou.Eu também não resisti e solucei de uma maneira como nunca havia soluçado antes…
- Não me permitem…Eu não posso ser…bom! (…)
Meus olhos brilharam de paixão e eu apartei fortemente suas mãos.Como eu a odiava e me sentia atraído por ela naquele instante! Um sentimento reforçava o outro.Parecia quase uma vingança! Seu rosto a princípio expressou uma certa perplexidade, próxima do medo, mas apenas por um instante.Ela me abraçou com dor e arrebatamento.
(…)